Estudo da FGV em parceria com a Mosaic e Itaú aponta redução de 5,25% na intensidade de carbono por saca

19 de Outubro de 2026

Pesquisa avalia o potencial de tecnologias que combinam fertilizantes minerais e soluções biológicas e destaca desafios regulatórios para o avanço desse mercado
A Mosaic, uma das maiores produtoras globais de fosfatados e potássio combinados, divulga estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com patrocínio da Mosaic e do Itaú, que analisa o avanço dos bioinsumos e das tecnologias híbridas de nutrição vegetal no Brasil. A pesquisa mostra que a integração entre fertilizantes minerais e soluções biológicas pode ampliar a eficiência no uso de nutrientes e contribuir para uma agricultura mais produtiva e sustentável.
O levantamento analisou o cenário nacional de fertilizantes e bioinsumos, os impactos econômicos e ambientais das novas tecnologias e os desafios regulatórios relacionados a produtos que combinam componentes minerais e biológicos. Entre os resultados, um estudo de caso com fertilizante híbrido aplicado à cultura da soja identificou redução aproximada de 5,25% na intensidade de carbono por saca produzida, acompanhada de aumento de produtividade de aproximadamente 8,8%.
No experimento, a produtividade média passou de 57,8 sacas por hectare no tratamento com MAP convencional para 62,1 sacas por hectare nos tratamentos com o produto híbrido. Como consequência, a intensidade média de carbono caiu de 20,97 kgCO₂e por saca para 19,87 kgCO₂e por saca, sem redução das emissões absolutas por hectare.
“O trabalho mostra que a discussão sobre eficiência nutricional está avançando para uma nova etapa. Não se trata de substituir uma tecnologia por outra, mas de entender como diferentes soluções podem trabalhar de forma complementar para melhorar o aproveitamento dos nutrientes, aumentar a produtividade e contribuir para sistemas agrícolas mais eficientes e resilientes”, afirma Flávio Bonini, gerente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento da Mosaic.
A análise foi realizada a partir de ensaios conduzidos na safra 2024/25 em quatro regiões produtoras de soja, Sorriso (MT), Goiânia (GO), Selvíria (MS) e Botucatu (SP), e comparou tratamentos com aplicação exclusiva de MAP versus MAP combinado com diferentes doses da tecnologia biológica Powercoat. A avaliação de emissões considerou a perspectiva “porteira para dentro”, incluindo aspectos como resíduos culturais, consumo de energia elétrica, aplicação de fertilizantes nitrogenados e calcário e operações mecanizadas.
Eficiência além da substituição
Para a FGV, o avanço dos bioinsumos não significa necessariamente substituir a adubação mineral, mas identifica uma oportunidade justamente na combinação das duas abordagens. Os fertilizantes híbridos são definidos na pesquisa como soluções que integram fontes minerais de nutrientes a microrganismos ou componentes bioestimulantes, buscando potencializar o aproveitamento dos nutrientes aplicados.
Segundo o levantamento, os bioinsumos isoladamente ainda não substituem a adubação mineral necessária para a reposição de todos os macronutrientes primários em quantidade suficiente para sustentar a produtividade das lavouras brasileiras. Nesse cenário, as tecnologias híbridas aparecem como uma alternativa complementar, combinando o fornecimento dos nutrientes minerais com processos biológicos capazes de favorecer sua disponibilização e absorção pelas plantas.
“A agricultura brasileira precisa, cada vez mais, produzir de forma eficiente diante de desafios como custos de produção, disponibilidade de insumos e eventos climáticos. A integração entre tecnologias minerais e biológicas pode contribuir para esse avanço, desde que seja acompanhada de evidências agronômicas, avaliação e validação em diferentes condições de campo e um ambiente regulatório adequado à inovação”, acrescenta Bonini.
Além dos resultados ambientais, foi identificado grande potencial econômico. No caso analisado com MAP Powercoat na soja, os ganhos de produtividade observados nos ensaios foram convertidos em estimativas de receita bruta adicional para o produtor. Na aplicação no sulco, a receita adicional média entre as localidades variou de aproximadamente R$ 521 a R$ 768 por hectare, dependendo da dose avaliada. Em área total, os valores ficaram entre cerca de R$ 430 e R$ 598 por hectare.
Em uma das simulações, realizada para Sorriso (MT), a adoção do tratamento de 2 litros da tecnologia biológica por tonelada de fertilizantes, com aplicação no sulco de plantio e considerando um prêmio de 30% sobre o custo do fertilizante convencional, resultou em ganho líquido estimado de R$ 202 por hectare. A FGV ressalta, porém, que os resultados econômicos dependem da estabilidade da resposta agronômica em diferentes safras, solos e condições de manejo, além da relação entre preço da soja e custo da tecnologia.
Um mercado em transformação
O estudo também coloca o avanço das tecnologias biológicas em perspectiva diante da dependência brasileira de fertilizantes importados. Em 2025, segundo os dados reunidos pela fundação, o Brasil produziu 7,22 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto 43,32 milhões de toneladas foram importadas. Isso significa que cerca de 88% do volume entregue ao mercado brasileiro teve origem externa. As importações também estão concentradas em poucos países, ampliando a exposição do setor a riscos geopolíticos, cambiais e logísticos.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro de bioinsumos vem crescendo rapidamente. A análise aponta uma taxa média de crescimento de 22% ao ano nos últimos três anos, com estimativa de área tratada, considerando a soma das aplicações das diferentes tecnologias de bioinsumos, na ordem de 156 milhões de hectares tratados na safra 2024/25. Esse cálculo considera as áreas que receberam diferentes tipos de bioinsumos ao longo da safra e, portanto, não corresponde à área física efetivamente cultivada. A soja responde por 62% dessa área tratada, seguida pelo milho, com 23%, e pela cana-de-açúcar, com 10%.
Regulação é um dos principais desafios
A Mosaic vem acompanhando o avanço de tecnologias que combinam fertilizantes minerais e soluções biológicas e os desafios para que essas inovações ganhem escala no campo. Um dos pontos identificados é que as normas atuais foram estruturadas para categorias distintas de produtos e ainda não contemplam plenamente soluções multifuncionais, o que pode gerar dúvidas sobre enquadramento, registro e rotulagem.
Nesse cenário, a companhia defende a construção de critérios mais claros para essas tecnologias e maior integração entre as políticas voltadas a fertilizantes e bioinsumos. O estudo também recomenda ampliar pesquisas, testes em propriedades comerciais e unidades demonstrativas para gerar evidências sobre o desempenho das soluções em diferentes condições de campo.
“À medida que novas tecnologias chegam ao campo, é importante que o ambiente regulatório acompanhe essa evolução. Critérios claros e segurança jurídica ajudam a estimular a inovação e, principalmente, a ampliar o acesso do produtor a soluções avaliadas tecnicamente”, afirma Flávio Bonini, gerente da Mosaic.
A discussão é especialmente relevante para o Brasil, que importa cerca de 88% do volume de fertilizantes utilizado. Para a Mosaic, ampliar a eficiência no uso dos nutrientes e estimular o desenvolvimento de novas tecnologias são caminhos para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.